emp(a)t(h)y

Um vazio. É isso que sinto, inércia, monotonia, algo constante e estabilizado, sem cor, sem vida.

Não sinto nem vontade de escrever, algo que geralmente acalmava os meus ânimos. Mas que ânimos? Não sinto mais nada. O frio que vem com o outono está diminuindo a temperatura do meu coração.

Não há sobre o que escrever. Não há inspiração, intensidade, ânsia, suor, taquicardia. Adquiri rotina (ou seja, virei adulta?). Não que esta não me faça feliz: nada melhor do que trabalhar com o que ama, sentir vontade de adquirir cada vez mais conhecimento e ter bom desempenho no que faz. Mas a vida não se resume à isso, vivemos em sociedade. Eu, mais do que ninguém, tinha que compreender isso, já que (acho) minha carreira vai ser voltada para descobertas que visam o benefício, bem-estar e longevidade das pessoas. Mas por que não consigo conciliar as duas coisas?

Na verdade, nunca consegui ter uma excelente vida pessoal e social, não é o meu perfil, mas também não acho justo estar sempre sozinha. Porém é complicado manter vínculos com vocês, seres humanos! Quando me esforço para manter vínculos com as pessoas, sejam amorosos ou simplesmente fraternais, sempre recebo um beijo de Judas. E olha que isso acontece até dentro das nossas próprias famílias… Apesar de cética, tento perdoar, até porque não sou perfeita e erro também. Mas minha paciência tem se esgotado, ainda mais porque desculpas e perdões não surtem efeito: as pessoas continuam errando nos mesmos pontos e guardando rancores, respectivamente.

Então prefiro deixar de chorar por uns tempos, me permitir não sentir, me isolar emocionalmente de vocês. Me sinto uma E.T. agindo assim, mas no momento é o melhor a fazer: introspecção, auto-conhecimento, dedicação à mim mesma. Talvez assim dê certo, já que quando tentei ficar perto de vocês nunca deu.

Mas existe verdadeiramente outro rumo? Na verdade, só existe a direção que tomamos. O que poderia ter sido já não conta.
Mario Benedetti, poeta e escritor uruguaio
genial, agora todo mundo sabe como fazer!

genial, agora todo mundo sabe como fazer!

and I miss you, and I need you, I do.

Quando saber se esse é o sentimento verdadeiro? Ou que é essa a pessoa que tu deseja passar o resto da vida junto? Eu não sei, e acho que ninguém sabe. Deduzo, através das outras experiências que tive, que esse seja o sentimento, e que essa é a pessoa, apesar da minha pouca idade. O primeiro filme que vimos juntos esse ano, Crazy Stupid Love, tem uma cena onde o personagem principal diz: “Conheci o amor da minha vida aos 15 anos”. Logo me identifiquei, e sussurrei no ouvido dele com convicção: “Eu também.”

Com apenas 15 anos, me apaixonei perdidamente por um guri, da mesma idade cronológica que eu. Paixão adolescente, doentia, obcecada, infantil. Enfim, “namoramos” por seis meses. Fui a primeira namorada dele! Já eu, ligeira, não posso dizer o mesmo. Ele terminou comigo, óbvio, quem é que ia aturar uma mimada, louca, que te inferniza todos os dias? Ele veio com aquela história de tempo, sabe? “Vamos dar um tempo, quem sabe daqui um tempo”; sem dizer que ele nunca demonstrou nenhuma vontade de estar comigo, simplesmente estava.

Desabei. Chorei por umas duas semanas. Ainda por cima, no dia seguinte do término (3 de janeiro de 2009) fui assistir Twilight com uma amiga e o namorado. Não precisa dizer que morri chorando, né? O mais engraçado é que desde então sempre vejo os filmes da saga no cinema, mas não por amar o filme ou os atores, mas aflorar a dor de um jovem coração partido. Ok, num belo dia da segunda quinzena do mesmo mês, estava eu em casa quando outra amiga me convida para fazer companhia a ela na praia. Que dúvida, me atirei. Antes louqueando na praia do que chorando e fritando no calor na metrópole. E nesse “louquear”, louqueei até demais: descobri o mundo das festas eletrônicas, encontrei pessoas erradas, na hora errada, no local errado, no estado de espírito errado, tu-do errado. Ai, cagadas da adolescência!

Em 6 de fevereiro de 2009, reencontrei minha paixão, “ficamos”, e ele ainda não sabia das besteiras que eu tinha feito no mês anterior. Bom, quando descobriu, o que era pra ser um “tempo”, virou um “nunca mais”. Daí fodeu. Hahaha! Ao invés de parar por aí, fiz mais umas cagadinhas, jogando a merda toda no ventilador. Quanto cocô! E assim foi. Toda vez que nos víamos em algum lugar, era cara de nojo, fazer que não viu, provocar ciúmes. Até que numa dessas de provocar ciúmes, ele conheceu outra guria, muito melhor que eu (na minha opinião, na época), que ódio! Desde então só degringolei: não conheci uma alma que prestasse e que me quisesse bem, só oportunistas.

Conheci o karma da minha vida em um show no dia 28 de agosto de 2009. Show este em que a minha paixão estava acompanhada de sua mais nova pupila. Então fiquei o diabo que fez testar a minha autoconfiança, amor-próprio e paciência por 18 meses! O contrato reincidiu em fevereiro deste ano. Parecia mais uma carta de alforria.

Entrei na faculdade em março, ou seja, party hard! E mais cafagestes. Teve um que a decepção foi tão grande que daí chutei o balde: fodam-se, homens! Com este pensamento fui à festa de um amigo, no dia 27 de agosto de 2011. Muito faceira e boracha já, me deparo com o surgimento da paixão da minha adolescência na festa. Amoleci! Pensei “mas que merda mesmo, tchê!” e fiquei estatelada. Depois de uma hora fitando o rapaz, passei o óleo de peroba na cara e fui ao encontro dele. Pra minha surpresa: super receptivo, até demais! Conversa vai, conversa vem, smack! Daí não tem mais explicação. Como ele diz, foi inacreditável. Eu já tinha o visto algumas vezes – algumas = duas, uma em 2010 e uma em 2011, ambas no coletivo – e balançou muito: taquicardia, midríase, sudorese. Parecia MDMA. Mas o beijo… Que beijo, e que noite! “Foi a melhor namorada”, “Não te esqueci, não tinha como”… Apavorei-me. De novo não!

Mas o que eu senti, e o que eu sinto, é inexplicável. Claro que sentimos medo, muito medo, de nos magoarmos novamente. Mas será que não valia mesmo à pena arriscar depois daquela noite maravilhosa que passamos juntos? Enfim, arriscamos! Esclarecemos tudo, jogo limpo! Tem que ser sincero sempre. Em um mês, nos divertimos muito mais do que nos seis meses que passamos juntos em 2008. Rimos muito, conversamos muito, choramos muito, abraçamos muito. A cumplicidade, a “química” e a vontade de estar juntos é fora do normal! Ainda sinto o friozinho na barriga quando ligo, ou até quando somente penso em ligar; fico avoada por vezes durante os meus dias pensando nele; faço qualquer coisa para estar junto a ele; não penso mais em mim, penso em nós. Mas é diferente de paixão, sabe? Dá pra notar. Ele não me completa, ele se soma a mim. Antes de qualquer coisa, somos amigos, temos respeito, carinho, sinceridade, leveza, e acredito que muito amor pelo outro. Às vezes erramos, mais ainda somos humanos, não? Porém as discussões não alteram o que eu sinto; muito pelo contrário, são construtivas, sempre conseguimos juntos tirar algo de bom de cada experiência. As circunstâncias e a força que nos uniu me fazem pensar se é com ele que eu vou ficar. Não tenho dúvidas de que quero muito, e se for pra ser, vou ficar muito feliz! Caso contrário, desejo tudo de melhor pra ele, pela pessoa linda que é, humilde, honesto, companheiro, querido! Sinto-me merecedora de ter alguém assim do meu lado. Mas comecei amando a mim mesma. Queria que todos pudessem sentir um pouquinho de como eu tenho me sentido nos últimos dois meses.

Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.

[…] O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está tudo dito.

(Martha Medeiros)

Eu te amo muito, meu amor. Que seja eterno enquanto dure.

that´s what u get when u let ur ♥ win

that´s what u get when u let ur ♥ win

You´re entirely bonkers! But I´ll tell you a secret: all the best people are.
Alice in Wonderland, 2010
Torno da me perché ho imparato a farmi compagnia. Dentro di me rinasco, bello come non mi sono visto mai, e frego la malinconia.
Laura Pausini, “La Geografia Del Mio Cammino
zzbrandonboyd:

Kevin & Bean’s Breakfast With Incubus

zzbrandonboyd:

Kevin & Bean’s Breakfast With Incubus

We make music for each other and we like to share it with people. If people like it, that’s wonderfuland. If they don’t, that’s okay too.
Brandon Boyd
worldwide sickness

No trânsito me desligo. É como se eu entrasse em transe, alfa, stand by ou qualquer outro adjetivo que represente a minha indiferença e ausência naquele momento. Acho que esse é um dos motivos relevantes pelos quais não dirijo ainda. No ônibus tenho esse costume: olho pra tudo sem olhar pra nada, penso na vida, nos desafios diários, sonho de olhos abertos. É, já me adaptei ao sistema e à minha vida de proletária.

Mas hoje foi diferente. À caminho do trabalho, atrasada (como sempre), entro no coletivo, invoco olhares, procuro um assento. Sentei bem ao fundo do bus. Não sei por qual razão, mas gosto de ficar perto da porta. Mania. Sem perceber, sentei ao lado de um portador de necessidades especiais. Não sei ao certo, mas o homem aparentara portar alguma síndrome ou doença crônica que afeta a cognição e retardo na maturidade mental. Uma mulher sentada à frente dele questionava o que eram as construções no qual passávamos durante o nosso trajeto, e ele respondia, balbuciando algumas coisas, e repetindo a resposta com uma extrema vontade de que o receptor da informação o entendesse. Aí então apertei o modo on. Comecei a reparar as pessoas do ônibus. E as de fora também. Falam no telefone (erroneamente), conversam, discutem, fumam demasiadamente, róem as unhas, reclamam, reclamam, reclamam. Um menino de pé não paráva de se balançar. Um outro desce do ônibus acompanhado da mãe e gritanto alegremente “Onomatopeia! Onomatopeia!”. Uns pivetes mais à frente riam do pobre homem sentado ao meu lado. E meu cérebro não conseguia ignorar um só estímulo. Quanta poluição sonora! Sob tensão, eu só queria sair daquele lugar.

Até que então o homem ao meu lado reclamou para a mulher à frente do balanço do veículo. Ela diz: “Parece uma montanha-russa. Tu já andaste em uma montanha-russa?”. Ele diz que não. “O ônibus parece uma montanha-russa, que parece com a vida. Cheia de sobe-e-desce.” - diz a mulher. De forma excêntrica e simplista, a mulher forneceu ao homem palavras de conforto. Não sei se ele entendeu, mas ela estava, de certa forma, querendo amenizar a dor que ele deve sentir por estar preso àquela condição. Ou não.

Desci do ônibus, feliz por me livrar daquele boom de informações e pensamentos e me dirigi ao local de trabalho. Mais um dia comum, tranquilo. Do meu trabalho não há do que reclamar, é fácil e não exige muito gasto de ATP. Mas enfim, tão tranquilo que fiz umas coisas da faculdade e li outras. Mesmo assim, estava desesperada por ter de apresentar um seminário onde eu só tinha 2 ou 3 páginas de conteúdo à respeito na minha pasta. Saí do trabalho, cheguei na faculdade, me incomodei (pessoas são complicadas demais pra mim), fui ao laboratório e me concentrei… não na aula, e sim no que eu tinha que apresentar nos próximos períodos! Desespero. Agonia. Zerei a última prova da disciplina no qual eu tinha que apresentar o seminário; portanto, era uma das últimas chances.

Hora crítica, não conseguia desviar a atenção da incomodação que tive logo quando cheguei na UFCSPA. Era em grupo, ao menos. Eu comecei a falar. Gaguegei e li descaradamente as palavras e explicações grifadas do papel. Quando já não sabia mais o que falar, a minha colega me interrompeu e começou a parte dela. Segura, tranquila, confiante, parecia que ela fizera o trabalho sozinha! Enquanto isso, parei e li atenciosamente uma parte do caso clínico impresso que eu não havia dado importância antes. Aquelas palavras me soavam tão estranho, mas me esforcei e li umas cinco vezes em um minuto e… Bam! (ó a onomatopeia, risos) Associei tudo o que estava escrito no papel com um episódio do meu seriado favorito em uns 30 segundos. Através de metáforas e de uma forma de fácil compreensão, expliquei o que o envenenamento do chumbo causa bioquimicamente no organismo. Desde o bloqueio enzimático da enzima ferroquelatase até a inibição competitiva do GABA pelo gama-ALA.

Sensação de dever cumprido, saí no frio de queixo erguido, faceira pela vitória! Senti que precisava escrever, e descrever, registrar esse dia, agradecer indiretamente pela sorte que tenho. Aliás, escrever é o meu refúgio, me faz bem, prezo isso. Por mais tarde que eu vá dormir e mais cedo que eu vá acordar, estou me sentindo bem melhor agora. E acredito que essa foi a causa da minha inquietude nas últimas semanas, por não estar me “descarregando” aqui.

Cansada, no trajeto de volta para casa, tomo o meu assento no coletivo e olho a bolsa que a minha oma me deu. Com uma frase otimista estampada na mesma - “plant a seed of friendship” -, como uma luz no fim do túnel, encerro o meu dia lembrando dos bons momentos que passei ao lado dos avós no feriado, das frases positivas e reconfortantes da oma, e pensando como escrever tudo isso aqui…